Cidade dos Amaldiçoados: São Paulo

Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu
— Criolo


A paulicéia envolta em trevas


População Mortal: 12 milhões
Membros da Família: mais de 500

Metrópole brasileira, principal centro financeiro, corporativo e mercantil, é a maior e mais populosa cidade da América do Sul. Contudo, ela apresenta uma alta taxa de desigualdade social e, com isso, uma série de problemas relacionados, como a violência e a criminalidade. A metrópole é brutal, impiedosa e inescrupulosa, se alimentando dos sonhos capitalistas e esperanças vazias da população mortal.


Uma história escrita por sangue e café


Que nesse peito aberto eu me possa meter,
possa no coração de meu Senhor viver!
Por aí entrarei ao amor descoberto,
terei aí descanso, aí meu pouso certo!
No sangue que jorrou lavarei meus delitos,
e manchas delirei em seus caudais benditos!
Se neste teto e lar decorrer minha sorte,
me será doce a vida, e será doce a morte!
— Padre José de Anchieta

A povoação de São Paulo de Piratininga surgiu em 25 de janeiro de 1554 com a construção de um colégio jesuíta por doze padres, no alto de uma colina escarpada, entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí. Tal colégio, que funcionava num barracão que tinha, por finalidade, a catequese dos índios que viviam na região do Planalto de Piratininga, separados do litoral pela Serra do Mar, chamada pelos índios de "Serra de Paranapiacaba".
O assentamento só passou a ser povoado de fato a partir de 1560, mas nos dois séculos que se passaram, a vila permaneceu pobre e isolada, longe das principais cidades costeiras da Capitania de São Vicente. A presença da Família na região era pífia, com a exceção do Padre Afonso, um dos Jesuitas, que se auto-intitulou Cardeal de São Paulo, contudo, Afonso era um mero sacerdote da Lancea Sanctum. Apesar disso, usou a estrutura da igreja para se firmar, e logo converteu ou destruiu eventuais amaldiçoados que surgiram. Afonso se tornou o primeiro Príncipe de São Paulo.
No Século XVII a vila crescera, mas ainda era extremamente pobre. Afonso usou seus contatos em São Vicente para tornar São Paulo um ponto seguro para os bandeirantes, em suas viagens para desbravar o país. Os bandeirantes foram encarregados de buscar escravos indígenas e, indiretamente, caçar vampiros opositores, pajés feiticeiros, e criaturas que assolaram a vila. Além disso, os bandeirantes descobriram riquezas em Minas Gerais e Goiás. 
Com isso, João de Castro, Príncipe da Capitania de São Vicente e membro do Invictus, decide mudar seu centro de poder para São Paulo, fazendo a primeira grande oposição à Afonso. Em um golpe rápido, Castro usou os próprios bandeirantes contra Afonso, se proclamando Príncipe e forçando o então Cardeal a se submeter ao Vinculum. Por fim, com a expulsão dos jesuitas, o Invictus reinou absoluto.
No século XIX, São Paulo se tornou uma cidade importante para o Império, frutos de sua riqueza conquistada com a exportação de cana-de-açúcar e café. Ferrovias foram instaladas pela província, através dos braços fortes dos imigrantes que chegavam para substituir os escravos, recém libertos. Muitas indústrias também surgiram nesse período.
A virada do século foi muito marcante para a cidade. A influência estrangeira se tornou evidente e pensamentos libertários se tornaram comuns. Histórias sobre revoluções acontecendo por todo o país e por todo o mundo se tornaram comuns, e a Família descobriu novas ameaças.
O Movimento Cartiano surgiu em algum momento na virada do século, com um pacto entre grupos divergentes que, inspirados pelas histórias do exterior, buscavam uma reforma política na estrutura social da Família. Acredita-se que o ponto o pacto foi selado em 1922, ano em que ocorre a semana da arte moderna. Os Cartianos incentivaram revoltas no período, como as revoltas Tenentistas, que buscavam melhores condições de vida para os mortais – contudo, de noite eram os membros que lutavam contra o punho de ferro dos Invictus. As revoltas culminaram na Revolução de 30, e o início da Era Vargas, no país.
Em 1932, há uma inesperada aliança entre a Lancea Sanctum (que detinham uma grande influência em Minas Gerais) e os Cartianos (que lutavam pelo poder em São Paulo) que conseguem derrubar o poder dos Invictus e, indiretamente, iniciam uma revolução entre os mortais.
Houve então, um período de grande industrialização e modernização do país. A segunda guerra mundial aplacou os ânimos dos mortais, dando tempo aos Invictus se reorganizarem. Na décadas de 40 e 50, um Ventrue chamado Vitor Munhoz se esforçou para ganhar influência com a mídia, a polícia e os militares. Quando, nos anos 60, houve o golpe militar, ele estava no lugar certo, na hora certa. Vitor se tornou príncipe de São Paulo.
Há quem diga que a ditadura foi o maior golpe que os Invictus deram aos seus inimigos — a fria vingança. Há quem diga que foi mero oportunismo. O fato é que, neste período, todas as coalizões foram perseguidas. Cartianos, sem dúvida, foram os que mais sofreram. Mas, conforme os anos de chumbo avançaram, os Santificados, os Pagãos e os Dragões, todos sofreram com o estado totalitário. 
Vitor foi um tirano. Sem dúvida um sujeito que impactou a Família, de uma forma ou de outra. Por esses motivos, ele criou muitos inimigos. Na verdade, cogitam se a loucura o dominou, devido aos seus frequentes acessos de raiva e perda de controle. Com o tempo, se mostrou extremamente paranoico, sentenciando muitos servos até então leais à morte final. Seu desaparecimento, nos anos 1980, foi inesperado, porém, celebrado.
Os anos passaram, desde então, os tempos mudaram. Hoje, São Paulo é uma cidade cosmopolita, a maior da América do Sul. Porém, as mágoas do passado persistem, e a Família possui várias feridas que ainda sangram. Nas últimas décadas, as coalizões se reergueram nas sombras, porém, com uma geração que não testemunhou o horror. Jovens e inocentes, com seus jogos tolos para preencher suas almas vazias. Contudo, os anciões ainda se lembram.

Personagens Históricos

  • Padre Afonso: Mekhet, Cardeal da Lancea et Sanctum, do século XVI e XVII.
  • João de Castro: Ventrue, Príncipe do Invictus, do século XVI e XVII.
  • Vitor Munhoz: Ventrue, Príncipe do Invictus, nas décadas de 1960 a 1980.

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